
Abelhas do Vale do São José
Por Evandro José e Alexandre Teixeira
Dos grupos de animais que ocorrem no Vale do São José, os insetos sempre chamaram a atenção dos pesquisadores, sendo então, desenvolvidas pesquisas com esse grupo. Dentre estas pesquisas, destaca-se a que buscou conhecer as espécies de abelhas que ocorrem na área. Tal pesquisa durou um ano, tendo sido iniciada em agosto de 2017 e finalizada em agosto de 2018, foi financiada pelo o orgão de fomento CNPq/CAPES. Vale mencionar que de forma preliminar os estudos sobre esse grupo tiveram inicio em 2012 e seguem até o presente junto a outros estudos.
As abelhas são um grupo de
animais de importância ambiental, social e econômica. Esses animais são os
principais responsáveis pela polinização, serviço que permite a reprodução de
espécies de plantas. Sendo então, fundamentais para diversos ambientes, dentre
eles a Caatinga.

Coleta das abelhas
Para a coleta das abelhas foram utilizados dois métodos: coleta com rede entomológica e armadilhas de água. A coleta com rede é realizada através de um pesquisador que com o auxílio da rede captura as abelhas em vôo ou no momento em que elas estão no serviço de polinização.
As armadilhas de água são recipientes coloridos contendo 150mL de água e três gotas de detergentes que atraem os insetos em vôo. As cores utilizadas nos recipientes são cores exibidas pelas as flores, como azul, vermelho, amarelo e branco, com intuito de atrair as abelhas. O detergente serve para quebrar a tensão superficial da água, permitindo que a abelhas uma vez que entre na armadilha não possam sair.
As abelhas coletadas
Ao todo foram coletadas 19 espécies de abelhas por toda área do Vale (Tabela 1). Dentre as espécies identificadas destacam-se as espécies de "abelhas sociais nativas", também conhecidas como "abelhas sem ferrão", como a Aripuá (Trigona spinipes). Na pesquisa, também foi identificada a espécie Apis mellifera conhecida popularmente como Abelha-de-Taliano.
Algumas considerações
Em números de espécies, o Vale do Riacho São José apresenta uma riqueza intermediária quando comparada com outros ambientes de Caatinga. No entanto, é importante ressaltar que se conhece a presença de outras espécies que, por motivos de logísticas da pesquisa, não puderam ser registradas. Em busca de ser fazer esses registros novas pesquisas estão sendo planejadas para realização na área, pretendendo-se, portanto ter uma maior e melhor noção da diversidade de abelhas existentes no Vale.

Potencial futuro
O estudo com abelhas possui grande impacto, pois a criação desses animais pode ser feita com finalidades de preservação das espécies e manutenção dos ecossistemas em que elas estão inseridas, a venda do mel e de outros produtos pode gerar renda para famílias rurais, bem como complementar não só a renda mais a base alimentar dessas pessoas. É importante lembrar que as abelhas são indispensáveis para o cultivo de vários alimentos como feijão, abobora, pimenta e frutas e hortaliças em geral.

Cultura e história
Na área do Vale do São José existem formas tradicionais de cultivo desses animais e de extração sustentável dos recursos produzidos pelas abelhas, no entanto essas técnicas tem se perdido devido a soma dos impactos naturais causados pelas pessoas como a derrubada da vegetação nativa de Caatinga, o uso de produtos químicos e o desinteresse das novas gerações em aprender sobre o assunto. Outra informação importante é que o mel fazia parte da dieta das populações do Vale do São José, mas a escassez desse componente alimentar fez com que o habito de consumir mel regularmente fosse sendo inviável e esquecido.
Tabela I - Lista das espécies de abelhas conhecidas no Vale do São José
Sobre os autores
Evandro José dos Santos

https://lattes.cnpq.br/6299358255040253
Graduado em Ciências Biológicas pela a Universidade de Pernambuco (UPE) Campus Garanhuns. Desenvolve pesquisas na área de Entomologia, com ênfases em Abelhas.
Alexandre Gomes Teixeira Vieira

https://lattes.cnpq.br/0398017641181076
Possui Mestrado em Culturas Africanas da Diáspora e dos Povos Indígenas (Antropologia) e graduação em História pela Universidade de Pernambuco - Campus Garanhuns.

