O grito do Ipiranga: uma independência para poucos
Por Emanuel Oliveira
O Grito do Ipiranga (1888) - Pedro Américo

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O grito do Ipiranga é o momento mais marcante no imaginário do brasileiro ao se pensar a independência do Brasil. Muitos de vocês devem se lembrar da imagem de Dom Pedro I às margens do Riacho Ipiranga, gritando "Independência ou morte!" - apesar de não ter acontecido precisamente dessa maneira. Graças ao quadro de Pedro Américo, é assim que pensamos a emancipação do Brasil, pacífica e rápida; contudo, não foi bem assim.
O Brasil, que ganhou uma certa autonomia desde a chegada da corte portuguesa de Dom João VI, rei de Portugal em 1808, transformando o Rio de Janeiro na nova capital do Império em 1815, passava agora por momento difíceis politicamente, pois o Rei foi obrigado a retornar à Lisboa em 1821, deixando seu filho, o Príncipe Regente Dom Pedro I, comandando os rumos da colônia portuguesa, que estava sob ameaças de retornar ao modelo de exploração anterior ao governo de seu pai. As elites provinciais brasileiras ameaçavam independência própria de Portugal se o príncipe regente não tomasse partido pela independência total do Brasil.
O primeiro ato que marca a decisão do príncipe do Brasil não querer o retorno colonial foi o dia do Fico (9 de janeiro de 1822), criação de um exército nacional, a convocação da primeira constituinte brasileira e manifestos às nações amigas, atitudes que foram mal vistas pela metrópole portuguesa, revogando os decretos e acusando os ministros brasileiros de traição, rompendo definitivamente com o príncipe que estava em viagem a São Paulo e foi pego de surpresa com uma carta de sua esposa, Dona Leopoldina e José Bonifácio (que ficara conhecido como o patrono da independência Brasileira).
No dia 7 de setembro de 1822, às margens do riacho Ipiranga é dado o chamado "grito do Ipiranga" - "Independência ou morte!", formalizando a independência do Brasil. Apenas em 1° de dezembro de 1822, Pedro é coroado e recebe o título de Dom Pedro I. Um rei português para um novo país, mantendo-se a mesma estrutura monárquica de antes, na qual o poder era centralizado no Rio de Janeiro, os pobres eram excluídos da participação política, os negros seguiam sendo escravizados, e indígenas usurpados de suas terras em processo de extermínio.

Emanuel da Silva OliveiraProfessor e Historiador. Doutorando em História pelo programa de Pós-graduação em História Social da Cultura Regional pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) - Campus Recife. Mestre em História também pelo PPGH/UFRPE. Graduado em História pela Universidade de Pernambuco (UPE - Campus Garanhuns). Foi bolsista CAPES durante o mestrado (2018-2020). Bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid) de abril de 2017 a fevereiro de 2018. Professor Facilitador voluntário pelo Programa Novo Mais Educação (NME), de maio de 2017 a Novembro de 2018. Tem como área de atuação História Cultural, Memória e oralidades.
