O Grupo de Pesquisa e Associação do Vale do São José, Agreste pernambucano
O Grupo de Pesquisa e Associação do Vale do São José foi criado em setembro de 2012, na ocasião de uma visita ao Sítio Arqueológico "Taiado da Letra", o principal "letreiro" do nosso território. O grupo de pesquisa tinha como intuito original encontrar e mapear os sítios de arte rupestre existentes na bacia hidrográfica do riacho São José e em seu entorno; essa atividade era desenvolvida por estudantes e egressos do ensino superior, residentes nas localidades próximas a esses sítios, que cresceram ouvindo as histórias sobre "os letreiros pintados pelos encantados" e desenvolveram uma relação cosmológica e afetiva com esses espaços. Tais estudos levaram ao conhecimento de mais de 20 sítios arqueológicos de arte rupestre, "letreiros", na bacia hidrográfica do riacho São José.
Quando as primeiras incursões de pesquisa se iniciaram, as intenções do grupo se expandiram, surgiu então a demanda pelo levantamento e inventário da fauna e da flora do território, bem como, dos geossítios e espaços de memória recorrentes na tradição oral local.
Há uma estimativa de um alcance de cerca 40 escolas que participaram de visitação ou foram espaços de discussão e divulgação científica, distribuídas na rede pública e também particular do Agreste pernambucano, tendo em vista uma atuação intermunicipal dos integrantes do grupo.
O objetivo do grupo se ressignifica e, em 2022, o coletivo "Vale do São José" torna-se uma associação, institucionalizando as práticas e vivências de ensino, pesquisa, extensão, agroecologia e produção cultural, realizadas desde 2012.
A bacia hidrográfica do riacho São José possui aproximadamente 146,69Km², com perímetro de 74,85Km e altitudes entre 470m e 980m. Está situada na Caatinga, na fitorregião do Agreste, estendendo-se pelos municípios de Caetés, Paranatama, Pedra e Venturosa. No alto curso, há enclaves de Brejos de Altitude entre as pastagens antropizadas; no médio curso, vastas áreas de Caatinga Arbórea rodeadas de propriedades rurais; já no baixo curso, surgem vastas áreas de Caatinga Arbustiva. Em toda sua extensão, existem vários ecossistemas rupestres, onde predominam os cactos e bromélias.
As atividades realizadas pelo Grupo/Associação Vale do São José são divididas conforme organização interna em: Pesquisa - ocorrendo em toda extensão da bacia hidrográfica, em diferentes áreas do conhecimento, com destaque para as pesquisas no campo da História, Antropologia, Geografia, Zoologia e Botânica, mas não se limitando a estas. Exemplificando os resultados das principais Pesquisas nas ciências biológicas foram identificadas na área do Vale do riacho São José até o momento:
178 espécies de plantas abarcando as espécies lenhosas, subarbustos, cactos e bromélias,
7 espécies de escorpiões,
19 espécies de abelhas nativas sem ferrão, sendo que apenas 16 delas com ninhos naturais confirmados,
21 espécies de abelhas solitárias,
6 espécies de peixes;
35 espécies de anfíbios anuros e uma espécie do gênero Gymnophiona;
55 espécies de répteis;
145 espécies de aves;
30 espécies de mamíferos exceto morcegos;
Ensino – com atividades desenvolvidas em escolas por todo o Agreste meridional de Pernambuco; Extensão - a atividade mais recorrente é a exposição dos itens da reserva técnica do grupo, acervo este que irá integrar a exposição do Museu Izabel Teixeira de Melo, espaço que outrora foi uma das primeiras escolas do município de Caetés e está situado no Vale do São José; Extensão Rural e Agroecologia - ações realizadas nas propriedades dos integrantes do grupo e membros das comunidades rurais do Vale, tais como implementação de hortas, viveiros de mudas, plantio de espécies florestais nativas, assistência técnica com foco na produção de palma, hortaliças, reaproveitamento de água e manejo sustentável da Caatinga, desenvolvimento da apicultura e meliponicultura; Produção Cultural - Sendo as principais intervenções artísticas a fotografia e a produção de audiovisual agora especificamente sob o Selo Vale do São José Filmes, mas abarcando também outras linguagens artisticas; Divulgação Científica - realizada predominantemente pelas redes sociais. Vale destacar que, na prática, essas áreas de atuação se encontram em ações que são, ao mesmo tempo, de Extensão Rural e Divulgação Científica, por exemplo.
São tradições culturais no território o Pastoril do Povoado de Ponto Alegre (Caetés-PE) e o Reizado que atravessa os Sítios Várzea dos Bois, Ouro, Campinho e Caldeirão do Chapéu (Caetés-PE), no alto curso proximo as nascentes do riacho São José. Os Sambas de Coco, toque de Pífano e Rabeca, Forró de Viola, "Incelenças", "Cantos de Ciência" e Rojões, tradições culturais reunidas pelo Grupo Cultural Joaquina Valença com residentes nos Sítios Serrote, Exu, Mulungu, Vermelha (Caetés-PE) e Pontais (Venturosa-PE), lado norte do Vale do São José. Os Bacamarteiros residentes no entorno do Sítio Quati, lado sul do Vale do São José. No baixo curso, lado oeste do Vale do São José (Pedra-PE) há cantadores, toadeiros e violeiros que tem nas pegas de boi o momento de culminância de suas práticas culturais.
Texto de apresentação adaptado dos resultados e discussão do trabalaho intítulado: O grupo de pesquisa e associação Vale do São José como experiência coletiva no semiárido nordestino, publicado nos Anais da V SECAP, 2024.
Conheça também nosso Instagram, @valedosaojose https://www.instagram.com/valedosaojose/ , e nosso canal no YouTube acessando o link abaixo:


